Cultura para quê?

Patrício Júnior

                Caros leitores, semana passada tivemos uma convocação da classe artística de nossa cidade para uma reunião no Cineteatro. Na pauta, a criação do Sistema Municipal de Cultura.

            Tingimos de expectativa e esperança esse primeiro grande encontro com os artistas do município e os nossos vereadores, todavia o que era ansiedade, rapidamente transformou-se em decepção na forma de uma deselegante ausência, diga-se, desses vereadores que pensávamos que nos representavam, que tinham interesse pelos assuntos culturais locais.

            Somente um edil compareceu à reunião e, justamente, o vereador que está lutando, junto ao Comitê de Cultura para que esse grande projeto de criação do Sistema Municipal de Cultura, realmente saia do papel e represente a conquista de todos nós, trabalhadores e fomentadores das expressões multiculturais de nossa gente.

            Diante de tal situação é inegável a pergunta que se faz: mas, afinal, cultura para quê?

            Cultura para manter viva as nossas memórias, nossos terreiros de chão batido, nossos cantos e contos, nossas poesias, nosso artesanato e culinária, nossas danças típicas, nosso teatro, nossa musicalidade, nossos desenhos e pinturas, nossos casarões históricos, nossa lida no campo, nossos aboios, nossa antropológica materialidade digna e imaterialidade frágil, nossa feira colorida, nosso comércio vibrante, nossos poetas de ontem, de hoje e de amanhã?                                                                                             Creio que não apenas a isso a cultura se presta! A cultura também é a chave que abre as portas de novas possibilidades.

            A cultura representa a permissão do debate de ideias e, acima de tudo, a linda transformação de meros cidadãos em cabeças pensantes, juntamente com a sua maior aliada que é a educação.

            Talvez estejamos impondo respeito a quem nos desrespeita!

            Talvez, nós que somos artistas, que não temos medo por já estarmos calejados dos sofrimentos individuais e agora coletivos de toda uma classe artística, estejamos produzindo um certo pavor nos vereadores locais!  Afinal, é muito mais fácil e cômodo para eles ausentarem-se de um debate sério.                                                                          E em meio a esses descompassos estamos produzindo nossos manifestos públicos na luta que não cessa, que não recua e que também é uma forma de fazer cultura e afirmar que ela também serve para isso tudo e muito mais que virá: aguardem o próximo ato…. as cortinas estão abrindo-se!

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