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Natal será 1ª capital capacitada para produzir hidrogênio verde

Natal será a primeira capital do País a ter um centro de formação de profissionais para atuar na cadeia produtiva do hidrogênio verde, combustível extraído de energias renováveis. Com isso, a capital potiguar será referência nacional no assunto e servirá de modelo para implantação de centros formadores em outros cinco estados: Ceará, Bahia, Paraná, São Paulo e Santa Catarina. O projeto é fruto de uma parceria entre Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e a entidade alemã de cooperação GIZ, que vai investir 2,6 milhões de euros (R$ 14 milhões) na adaptação da infraestrutura que deve ficar pronta até o fim de 2023.

O acordo, que foi assinado na sexta-feira (29), terá 20 meses de duração e também pretende desenvolver ações de disseminação da tecnologia de hidrogênio verde no país. A iniciativa corre em paralelo com a capacitação de instrutores para os centros de formação do Senai. O hidrogênio é considerado “verde” quando é obtido a partir fontes renováveis, como a solar e a eólica. Neste modelo o hidrogênio é gerado por meio de um processo químico conhecido como eletrólise e utiliza a corrente elétrica para separar o hidrogênio do oxigênio que existe na água.

De acordo com Rodrigo Mello, diretor do Centro de Tecnologias do Gás e Energias Renováveis (CTGAS-ER) e do Instituto SENAI de Inovação (ISI-ER), o investimento faz parte do projeto H2Brasil da GIZ, uma parceria entre os governos do Brasil e da Alemanha para apoiar a expansão do mercado de hidrogênio verde e seus derivados no país. A expectativa é de que o Estado possa iniciar a produção do chamado “combustível do futuro” em 2024, com a exploração da energia eólica em parques offshore (instalados no mar).

“Esse centro de excelência que será instalado aqui no Senai do Rio Grande do Norte prevê o desenvolvimento de metodologias educacionais voltadas às pessoas que trabalharão com hidrogênio em diversas ocupações, desde professores que vão formar essas pessoas até os profissionais que irão trabalhar com isso nas fábricas. Inicialmente nós vamos desenvolver os laboratórios, qual a composição, modelo, tecnologia, que será embarcada, então esse centro parte do princípio é que essa é uma tecnologia que ainda não existe no Brasil e essa foi uma premissa dos governos brasileiro e alemão”, explica.

Mello diz que ainda não há nenhum tipo de ambiente educacional voltado para o desenvolvimento de profissionais para atuar neste mercado e que o objetivo da iniciativa é preencher essa lacuna. “A tecnologia já existe, o centro já tem o conhecimento para explorar essa tecnologia. Existe na minha equipe técnica o conhecimento técnico dessa tecnologia e em outros locais do País também, o que não existe no Brasil é um modelo de desenvolvimento de talentos para atuar profissionalmente na área”, comenta.

As condições climáticas e geográficas, além da liderança nacional em produção de energia eólica, credenciam o Rio Grande do Norte como grande potencial produtor de energia renovável também no mar, o que significa capacidade elevada na produção de hidrogênio verde.

Estudos encomendados pela Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico (Sedec) demonstram que a capacidade de produção de energia limpa do RN nesta modalidade é de até 160 gigawatts (GW), dez vezes mais que a Usina Termelétrica de Itaipu. Isso porque a frequência e a intensidade dos ventos são maiores no mar do que em terra, o que torna a captação de energia mais eficiente.

Enquanto um aerogerador (turbina eólica em formato de moinho) tem capacidade de produção de 4,2 megawatts (MW), no mar esse número sobe para 12 MW. As estruturas são montadas afastadas da costa, longe das rotas marítimas, e sinalizadas com luzes para não prejudicar o tráfego de embarcações e aeronaves. As empresas offshore, em tradução livre “fora da costa”, são todas as organizações que têm transações feitas em país estrangeiro, sujeitas a um regime extraterritorial. São registradas em jurisdições com baixa tributação ou até mesmo isentas.

Com a estruturação do centro formador de profissionais e a construção de parques eólicos offshore, o diretor do CTGAS-ES acredita que o Estado poderá criar uma nova rota de exportação.  “O ambiente doméstico do Brasil não precisará dessa energia toda que nós temos capacidade de produzir, então se abre se uma excepcional oportunidade em transformar essa energia eólica do offshore sob a forma de hidrogênio para exportação. Imagino eu que será um dos principais itens da nossa pauta de exportação”, comenta Mello.

Esforço por hidrogênio verde é global

Políticas globais estão sendo implementadas para diminuir os custos de produção, distribuição e aplicação do hidrogênio verde. Em 2021, foi criado o Hydrogen Council (Conselho do Hidrogênio), formado por 109 empresas globais, com capital somado de US$ 6,8 trilhões.

Países como a Alemanha, Coreia do Sul, Japão, China, França, Estados Unidos e Reino Unido lideram o setor em termos de investimentos e inovação.

O governo alemão adotou, em 2020, a Estratégia Nacional de Hidrogênio, que tem entre as atribuições a construção de parcerias internacionais para produção e exportação de hidrogênio verde. A necessidade de cumprir as metas de descarbonização pode tornar os eletrolisadores aproximadamente 40% mais baratos até 2030, segundo estimativas da GIZ. Em 2021, existiam cerca de 200 projetos relacionados ao hidrogênio verde, em pelo menos 30 países. Em 2020, a maior parte dos projetos (85%) estava na Europa, Ásia e Austrália. No Brasil, o superintendente de Negócios Internacionais do Senai, Frederico Lamego, diz que a instituição está apoiando a indústria nacional na transição para uma economia de baixo carbono e para tornar o país ainda mais competitivo em energia renovável. “Hoje, a demanda pelo hidrogênio verde é mais forte no exterior, sobretudo na Europa. Ao desenvolvermos essa competência dentro do país podemos impulsionar também a demanda interna pela tecnologia ao tornar seu preço mais competitivo”, destaca.

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